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Full text of "Teoria musical no Brasil: 1734-1854"

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TEORIA MUSICAL NO BRASIL: 1734-1854 

Fernando BINDER* e Paulo CASTAGNA** 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854. 1 SIMPÓ- 
SIO LATINO AMERICANO DE MUSICOLOGIA, Curitiba, 10-12 jan. 1997. Cu- 
ritiba: Fundação Cultural de Curitiba, 1998. p. 198-217. 



1. Introdução 

O trabalho aqui apresentado resultou de uma pesquisa desenvolvida sob os aus- 
pícios do PIBIC/CNPq/UNESP, 1 que teve como um dos objetivos identificar tratados 
teóricos sobre música, portugueses e brasileiros, escritos entre 1530-1850. Essa fase da 
pesquisa consistiu na localização de exemplares originais desses tratados, em bibliote- 
cas públicas, ou na localização de notícias a seu respeito, em bibliografia especializada 
dos séculos XIX e XX. 

Catalogamos títulos e transcrevemos comentários relativos a mais de 190 obras, 
com a meta de auxiliar a pesquisa sobre tratados e tratadistas musicais luso-brasileiros, 
proporcionando, assim, uma rápida apreciação sobre seus conteúdos, edições, orienta- 
ções estéticas e crítica disponível. Restringimos esta comunicação, no entanto, exclusi- 
vamente na abordagem dos principais tratados musicais escritos no Brasil, de 1734 
(data que aparece no mais antigo exemplo conhecido), até 1854, quando se consolidava, 
no país, a publicação de obras desse género. 



2. Tratados musicais portugueses e sua relação com o Brasil 

* Bacharelando em Composição e Regência no Instituto de Artes da UNESP e bolsista do CNPq/PIBIC. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



2 



Enquanto território colonial, a maior parte das relações ultramarinas do Brasil, 
ou melhor, da América Portuguesa, se realizava com Portugal, ou através de Portugal. 
Até a abertura dos portos, em 1808, a maior parte das informações sobre música euro- 
péia que chegava no território brasileiro, mesmo quando originada na Itália, França ou 
Alemanha, teria passado por Portugal. E, se para o estudo das artes brasileiras deste pe- 
ríodo, devemos atentar para a produção portuguesa, o mesmo ocorre em relação ao es- 
tudo da história de nossa teoria musical: para sabermos de onde vinham, quais eram e 
do que tratavam os manuais utilizados no auxílio à formação dos músicos brasileiros 
durante o período colonial, temos que, forçosamente, iniciar nossa pesquisa pela teoria 
musical lusitana. Mas, como veremos, a teoria musical brasileira não iniciou sua estru- 
turação com base em tratados somente portugueses, o que requer, nesta pesquisa, uma 
atenção permanente a toda a história da teoria musical européia, de onde derivou a teo- 
ria utilizada no Brasil, nos séculos XVIII e XIX. 

Os primeiros tratados musicais portugueses, dos quais temos notícia, foram edi- 
tados na década de 1530. Tratam-se das obras de Mateus de Aranda, compositor e teóri- 
co espanhol que se estabeleceu em Évora em 1528, para ser mestre de capela da Sé des- 
sa cidade. Entre as suas obrigações, incluía-se o ensino do canto de órgão ou mensurai 
(ou seja, a polifonia) e o canto chão (hoje mais conhecido canto gregoriano) para os 
clérigos, bacharéis e cantores interessados, além dos oito moços do coro da Sé. Para o 
ministério dessas disciplinas é que, provavelmente, Aranda escreveu seus dois manuais: 



Pesquisador da música brasileira e Professor do Instituto de Artes da UNESP. 

1 Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica. 

2 Estes termos provém da tradução em vernáculo das expressões latinas cantas orgânicas ou mensurabi- 
lis, em contraposição a cantus planus, fixando-se, na Espanha, canto de organo (em contraposição a 
canto llano) e, em Portugal, canto de órgão (em contraposição a cantochão). 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 3 

o Tractado de cãto llano (Lisboa, 1533) e o Tractado de canto mêsurable y contra- 
púcto (Lisboa, 1535). 4 Segundo Rui Vieira Nery, 5 os tratados de Mateus de Aranda são: 



"[...] dois pequenos manuais que não pretendendo propriamente ser veícu- 
los de uma reflexão teórica original constituem, no entanto, excelentes sín- 
teses dos conhecimentos básicos indispensáveis à correcta execução do re- 
pertório musical litúrgico, tanto monofónico como polifónico. Esta finali- 
dade de servir de guia à formação de músicos práticos presidiu sempre, de 
resto, a toda a produção teórico-musical portuguesa pelo menos até os 
meados do século XIX." 6 



Dentre as obras portuguesas mais divulgadas, dos séculos XVI ao XIX, entre 
quase duas centenas de títulos, podemos citar: a Arte de Canto llano, de Juan Martinez 
(Alcalá de Henares, 1512), 7 a Arte de canto chão, de Pedro Thalesio (Coimbra, 1618), a 
Arte de mvsica de canto dorgam e canto cham, de Antonio Fernandes (Lisboa, 1626), a 
Arte minima, de Manuel Nunes da Silva (Lisboa, 1685), a Nova instrucção musical ou 
theorica pratica da musica rythmica, de Francisco Ignacio Solano (Lisboa, 1764), o 
Methodo de Musica, do português José Maurício (Coimbra, 1806) e os Princípios de 
musica, de Rodrigo Ferreira da Costa (Lisboa, 1820). 



3. Tratados de música brasileiros do período colonial 



3 Edição contemporânea: ARANDA, Mateus de. Tractado de canto cato llano. Lisboa: Instituto de Alta 
Cultura, 1962. 

4 Edição contemporânea: ARANDA, Mateus de. Tractado de canto mensurable. Lisboa: Fundação Ca- 
louste Gulbenkian, 1978. 92p. 

5 NERY, Rui Vieira & CASTRO, Paulo Ferreira de. História da Música. Lisboa: Comissariado para a 
Europália 91 - Portugal / Imprensa Nacional - Casa da Moeda, [1991]. (Sínteses da cultura portuguesa). 
p.33 

A última característica é bem aplicável ao tipo de compêndio teórico-musical que predominou no Brasil, 
sobretudo no séc. XIX: obras simples, destinadas aos aspectos mais práticos da criação e execução musi- 
cal. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



4 



A instalação de tipografias na América Portuguesa foi proibida até de 1808. 
Neste ano, com a transferência do governo português para o Rio de Janeiro, criou-se, 
por decreto do Príncipe Regente D. João, a Imprensa Régia, que iniciou a publicação de 
libretos de óperas em 1811, com Uoro non compra amore (cuja música era de Marcos 
Portugal) e, em 1820, imprimiu a primeira obra de caráter literário sobre música no país, 
a Noticia da vida e das obras de J. Haydn, de Joaquin Le Breton. 

A impressão de obras teórico-musicais no Brasil iniciou-se após a Independên- 
cia, especialmente no Rio de Janeiro. A Arte de muzica para uzo da mocidade brazilei- 
ra por hum seu patrício (Rio, Silva Porto, 1823), hoje atribuída a Francisco Manuel da 
Silva (1795-1865), foi o primeiro compêndio teórico sobre música impresso no país. 
Tratados teóricos brasileiros anteriores a este - escritos, portanto, no período colonial - 
são raros e sempre manuscritos. 9 Conhecemos, hoje, nove títulos, incluindo textos per- 
didos de João de Lima e Caetano de Melo Jesus, uma cópia pelo mineiro José de Torres 
Franco, de um tratado escrito em Portugal e um documento anónimo (n. 7) que pode ser 
português ou brasileiro: 



7 Embora seu autor seja espanhol, incluímos esta obra por terem sido realizadas em Portugal pelo menos 
oito edições nos séculos XVI e XVII. 

8 Cf.PAIVA, Tancredo de Barros. Achegas a um dicionário de pseudónimos brasileiros. Rio de Janeiro: 
J. Leite & Cia., 1929. Item 892, p.l 18. Este referência foi-nos gentilmente enviada pela Dra. Mercedes de 
Moura Reis Pequeno. 

9 Excetuamos desta relação os seguintes textos, de conteúdo e existência duvidosos: 1) o "tratadinho" 
sobre sobre o modo indígena de tocar e de enterrar os mortos, de Pero Fernandes Sardinha (1495-1556), 
conhecido apenas por uma citação em sua carta escrita de Salvador, a 6 de outubro de 1553, dirigida ao 
Reitor do Colégio de S. Antão de Lisboa: ''Estos taheres y modo de enterrar [dos índios da Bahia] se 
V.R. quiere ver lea un tratadillo que allá embío a Su Alteza y por él verá quan poco aperejados son estos 
bárbaros para se convertiren, y quanto más devemos ocupamos que no se pervertan los Mancos que en 
que se convertan los negros." Cf.LEITE, Serafim. Monumenta Brasília' II (1553-1558). Roma: Monu- 
mentae Histórica S.I., 1957. Doe. 2, p.ll (Monumenta Histórica Societatis Iesu a Patribus Eiusdem Soci- 
etatis Edita, volumen 80 - Monumenta Missionum Societatis Iesu, v.XI - Missiones Occidentales); 2) Os 
"diversos compêndios sobre canto gregoriano" de João de Santa Clara Pinto (1754-1825), de acordo com 
a Enciclopédia da música brasileira (São Paulo: Art Ed., 1977, v.2, p.612), por ser informação sem fun- 
damento, provavelmente originada da interpretação errónea de um fragmento da publicação Origens e 
evolução da música em Portugal e sua influência no Brasil de Maria Luiza de Queirós Amâncio dos 
Santos (Rio de Janeiro: Comissão Brasileira dos Centenários de Portugal, 1942, p.231) que, por sua vez, 



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5 



1. JOÃO DE LIMA. [Tratado(s) de música perdido(s) (Recife ou Salvador, final séc. 

XVII)]; 

2. CAETANO DE MELO JESUS. Escola de canto de órgão (Salvador, 1759-1760); 

3. CAETANO DE MELO JESUS. Tratado dos tons (perdido) (Salvador, I a - metade do 

séc. XVIII); 

4. LUÍS ÁLVARES PINTO. Arte de solfejar. (Recife, 1761); 

5. LUÍS ALVARES PINTO. Muzico e Moderno Systema para Solfejar sem Confuzão 

(Recife, 1776); 

6. JOSÉ DE TORRES FRANCO. Arte de acompanhar (Mariana, 1790); 

7. ANÓNIMO. Modo de dividir a canária do órgão (Salvador?, final do séc. XVIII ou 

início séc. XIX); 

8. ANDRÉ DA SILVA GOMES. Arte explicada do contraponto (São Paulo, c.1800, có- 

pia de Jerônimo Pinto Rodrigues, Itu, 1830); 

9. JOSÉ MAURÍCIO NUNES GARCIA. Compêndio de música e método de pianoforte 

(Rio de Janeiro, 1821). 



A escassez de material teórico produzido no Brasil colonial evidencia-se no fato 
de conhecermos, do século XVII, apenas um teórico (do qual nenhum tratado foi recu- 
perado) e, em todo o século XVIII e início do século XIX, um único escritor e, quando 
muito, apenas dois tratados musicais para cada uma das capitanias economicamente 
mais desenvolvidas: Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Pi- 
or, no entanto, é a pequena quantidade de trabalhos musicológicos realizados sobre es- 
sas obras e o atual desinteresse pelo seu conteúdo e significado histórico. 



4. João de Lima 



Pernambucano, João de Lima foi mestre de capela da Sé de Salvador, de cerca 
de 1670 a inícios da década de 1680, quando transferiu-se para Pernambuco, assumindo 
o mestrado da capela da Sé de Olinda. Domingos de Loreto Couto, autor dos Desagra- 
vos do Brasil e Glorias de Pernambuco,™ manuscrito de 1757, registrou uma notícia 



baseou-se em um dietário beneditino carioca. Segundo Isa Queirós Santos, João de Santa Clara Pinto 
apenas "compôs e escreveu os livros de cantochão para o uso do convento do Rio de Janeiro". 
10 Biblioteca Nacional de Lisboa, MS B, 16, 23 (atualmente F.G 873), f.793. O documento está publicado 
nos Annaes da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, v.24, 1902 e 25, 1903 (publicados em 1904). 



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sobre João de Lima, no capítulo "Pessoas naturaes de Pernambuco, que compuserão, e 
não imprimirão", pela qual ficamos sabendo que esse mestre chegou a escrever um ou 
mais tratados teórico-musicais, que nunca chegaram a ser impressos: "As suas obras 
musicas são merecedoras de se darem ao prelo pela instrução dos professores desta 
arte. ,,n Não existe, entretanto, qualquer notícia de se ter preservado algum manuscrito 
de sua autoria. 

5. Caetano de Melo Jesus 

Autor das primeiras obras teóricas brasileiras, cujos títulos já eram conhecidos 
desde o século XVIII - A Escola de canto de órgão e o Tratado dos tons - Melo Jesus 
estudou com Nuno da Costa e Oliveira, mestre de solfa da Misericórdia da Bahia entre 
1715-1717. 12 Foi Sacerdote do hábito de São Pedro e mestre de capela da Catedral de 
Salvador na primeira metade do século XVIII. O Tratado dos tons nunca foi recuperado 
e da Escola de canto de órgão, planejada em quatro partes, somente as duas primeiras 

1 ^ 

foram preservadas (totalizando cerca de 1.200 p.). José Mazza (falecido em 1797) foi 
o primeiro autor que mencionou as obras teóricas produzidas por Melo Jesus, no Dicio- 
nário de músicos portugueses, manuscrito de fins do século XVIII: 14 



11 COUTO, Domingos de Loreto. Desagravos do Brasil..., livro quinto, cap.2, n.56 (Annaes da Bibliothe- 
ca Nacional do Rio de Janeiro, v.25, p. 33-34, 1903). O verbete foi copiado diretamente do manuscrito 
por Ernesto Vieira (Dicionário biográfico de músicos portugueses: história e bibliografia da música em 
Portugal, s.l., Mattos Moreira & Pinheiro, 1900, p. 35-36) e deste transcrito em Maria Luiza de Queirós 
Amâncio dos Santos (Origens e evolução da música em Portugal e sua influência no Brasil. Rio de Ja- 
neiro: Comissão Brasileira dos Centenários de Portugal, 1942, p.231). Cf., também, STEVENSON, Rob- 
ert. Some portuguese sources for early brazilian music history. Anuário / Yearbook / Anuário, Inter- 
American Institute for Musical Research / Instituto Interamericano de Investigación Musical / Instituto 
Inter- Americano de Pesquisa Musical, New Orleans, n.4, p.1-43, 1968. 

12 DINIZ, Jaime. Mestres de Capela da Misericórdia da Baia 1647-1810. Salvador: Centro Editorial e 
Didáctico da UFBA, 1993. p.51. 

13 Pertence hoje à Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Évora Cód. CXXVI / 1-1 e 1-2 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



7 



"Caetano de Melo natural da Cidade da Bahia. Compôs diversas obras a 4, 
e mais vozes, Compôs huma Arte de Canto de Órgão em Dialogo, e hum 
tratado dos tons, cujas obras existem na Bahia, e Pernambuco^ 

A primeira notícia publicada sobre a Escola de canto de órgão, no entanto, 
deve-se a Ernesto Vieira, no Dicionário biográfico de músicos portugueses, de 1900, 15 
informação reaproveitada por Isa Queirós Santos em 1942. 16 Considerado perdido até 
fins da década de 60, foi redescoberto por José Augusto Alegria entre os fundos musi- 
cais da Biblioteca Pública de Évora (cujo catálogo publicou somente em 1977), 17 o que 
possibilitou a continuação dos estudos a respeito dessa obra, pelo próprio José Augusto 
Alegria, 18 por Francisco Curt Lange 19 e José Maria Neves, 20 incluindo até trabalhos de 
divulgação, como os de Régis Duprat. 21 Somente um de seus capítulos chegou a ser im- 
presso por José Augusto Alegria: trata-se do Discurso Apologético, polémica que o au- 

22 

tor informa ter ocorrido entre músicos baianos em 1734, sobre a possibilidade de: 



MAZZA, José. Dicionário biográfico de músicos portugueses [manuscrito anterior a 1797]. Ocidente, 
Lisboa, v.23, n.75, p.255, jul. 1944. 

15 VIEIRA, Ernesto, op. cit., v.l, p.499-500. 

16 SANTOS, Maria Luiza de Queirós Amâncio dos. op. cit., p.206. 

17 ALEGRIA, José Augusto. Biblioteca Pública de Évora; catálogo dos fundos musicais. Lisboa: Funda- 
ção Calouste Gulbenkian, 1977. p.64. 

18 ALEGRIA, José Augusto. Um teórico musical brasileiro do século XVIII. Bracara Augusta, Braga, 
n.28, p.472-476, 1974. 

19 LANGE, Francisco Curt. Um fabuloso redescobrimento (para justificação da existência de música eru- 
dita no período colonial brasileiro. Revista de História, São Paulo, ano 26, v.54, n.107, p.45-67, jul./set. 
1976. Entre as p.53-65 discorre sobre o tratado de Melo Jesus, apresentando, nas p. 64-65, uma pequena 
descrição de seu conteúdo [Francisco Curt Lange faleceu em 3 de maio de 1997. Sua última vinda ao 
Brasil ocorreu em janeiro de 1997, por iniciativa deste Simpósio (nota da Comissão de Publicação)]. 

20 NEVES, José Maria. A música brasileira setecentista vista através de manuscritos pertencentes a arqui- 
vos portugueses. ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM MÚSICA, I, Mariana, MG, 1 a 4 de 
julho de 1984. Anais. Belo Horizonte: Departamento de Teoria Geral da Música da Escola de Música da 
UFMG e Museu da Música da Arquidiocese de Mariana [Imprensa Universitária], [1985]. p.137-160. 

21 DUPRAT, Régis. Um teórico musical brasileiro. Folha de S. Paulo, Ilustrada, São Paulo, 27 abr. 1984, 
p.61; Idem. Garimpo musical. São Paulo: Novas Metas, 1985. p. 177-181 (Coleção ensaios, v.8). O texto 
é o mesmo nas duas publicações mas, na última, Duprat inclui (na p.174) um fac-símile da p.406 do tra- 
tado baiano. 

22 JESUS, Caetano de Melo. Discurso apologético: polémica mvsical do Padre Caetano de Melo Jesus, 
natural do Arcebispado da Baía; Baía, 1734; edição do texto e introdução de José Augusto Alegria. Lis- 
boa: Fundação Calouste Gulbenkian, Serviço de Música, 1985. XVI, 167p. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



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"Se pondo-se sustenido em todos os Lugares de Linhas e Espaços diante da 
Clave, poderemos formar uma Dedução, ou Hexacorde, guardando as dis- 
tancias proporcionais dos quatro tons, e um semitom, que no decurso De- 
ducional se compreendem." 

No entanto, uma transcrição integral dos dois volumes conhecidos desse tratado 
já foi preparada para edição por José Maria Neves - incluindo comentários e notas - o 
que, finalmente, possibilitará a consulta deste que é o maior tratado de música america- 
no do período colonial e um dos maiores já escritos em língua portuguesa. 

6. Luís Álvares Pinto 

Luís Álvares Pinto é autor de várias obras didáticas, duas delas dedicadas à teo- 
ria musical e uma às primeiras letras. Jaime Diniz estudou os autores que escreveram 
sobre este teórico no século XIX. 23 De Inocêncio Francisco da Silva, 24 Diniz recolheu a 
informação de que Álvares Pinto publicou um Dicionário pueril para uso dos meninos 
ou dos que principiam o abe e a soletrar dicções (Lisboa, Francisco Luís Ameno, 
1784). De Antônio Joaquim de Mello, cita a informação de que o pernambucano teria 
escrito duas obras musicais: a Arte pequena para se aprender a música e a Arte grande 
de solfejar. Sobre a Arte de solfejar, foram publicadas notícias e estudos por Robert 



DINIZ, Jaime. Músicos pernambucanos do passado. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, v.l, 
1969.p.41-100. 

24 SILVA, Innocencio Francisco da. Diccionario bibliographico portuguez. 2-. Lisboa: Impr. Nacional, 
1859-1968. 22 v. 

25 MELLO, Antonio Joaquim de. Biografia de Luiz Alves Pinto. Diário de Pernambuco, 07 mar. 1854; 
Idem. Biografias de alguns poetas. Recife: s.ed., 1856-1858. 2 v.; Idem. Biographias de Joaquim Inácio 
de Lima, Luiz Alves Pinto e José Correia Picanço. Recife: Tip.de Manoel Figueiroa de Faria & Filho, 
1895. Apud: DINIZ, Jaime. op. cit., p.43. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 9 

Stevenson e Jaime Diniz, o último, responsável por um estudo e edição integral da 
obra em 1977. 28 

Hoje não existem mais dúvidas de que a Arte de solfejar, manuscrito preparado 
no Recife em 1761, corresponde ao título Arte pequena para se aprender a música, as- 

29 

sim como o Muzico e moderno systema para solfejar sem confuzão, de 1776, corres- 
ponde ao título Arte grande de solfejar, citados por Antônio Joaquim de Mello. 

A primeira notícia relativa ao Muzico e moderno systema, acompanhada de fac- 
símiles de 9 p. do manuscrito, foi divulgada por Mercedes de Moura Reis Pequeno em 
1982, em artigo no v. 2 do Nordeste histórico e monumental de Clarival Prado Vallada- 
res. 30 Posteriormente, o compositor e regente Ernâni Aguiar examinou o tratado de Ál- 
vares Pinto e dele transcreveu a maior parte das lições incluídas ao final do manuscrito - 
todas destinadas ao treinamento do solfejo cantado - que divulgou em forma manuscrita 
a partir de 1991: as 9 últimas das 25 Lições de solfejo (música para voz e baixo instru- 
mental, sem texto) e os 5 Divertimentos harmónicos (obras para 3 e 4 vozes, com textos 
latinos). 

7. José de Torres Franco 



26 STEVENSON, Robert. op. cit. 

27 DINIZ, Jaime. Músicos pernambucanos..., p. 64-66. 

28 PINTO, Luiz Álvares. Arte de solfejar: estudo preliminar e edição do padre Jaime C. Diniz. Recife: 
Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco / MEC / FUNARTE / INM, 1977. 50p. ilus. 
(Coleção Pernambucana, v.9) 

29 Em 1982, Clarival Prado Valladares e Mercedes de Moura Reis Pequeno divulgaram a notícia de que 
D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança, bisneto de Pedro II, conservava em sua biblioteca particular, em 
Petrópolis (Arquivo Grão Pará), um exemplar manuscrito do Muzico e moderno systema para solfejar 
sem confuzão, tratado de música autógrafo e inédito de Luís Alvares Pinto, datado de 1776. O manuscrito 
já pertencia à coleção imperial em 15 nov.1889, quando esta foi confiscada pelo governo republicano. 
Retornou à coleção em 1922, com a anistia de Epitácio Pessoa. Cf. VALLADARES, Clarival do Prado. 
Nordeste histórico e monumental. Rio de Janeiro: Norberto Odebrecht SA., 1982. v.l, p.xiv e v.2, p.12- 
27. 

30 PEQUENO, Mercedes Reis. A música no Nordeste até os Oitocentos. In: VALLADARES, Clarival do 
Prado. Nordeste histórico e monumental. [Rio de Janeiro]: Odebrecht, 1982. v.2, p.12-27. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



10 



A Arte de acompanhar é um manuscrito de 65 p., hoje pertencente ao Arquivo 

3 1 

Público Mineiro de Belo Horizonte. Foi copiado em Mariana (MG) em 1790 por José 
de Torres Franco, mestre de música filiado à Confraria de Santa Cecília de Vila Rica em 
1816 e ainda morador em Mariana entre 1815-1818. 32 Apesar de ter sido citado por Ma- 
ria Conceição Rezende como obra brasileira, sabemos já que esse tratado não foi es- 
crito por Torres Franco, 34 mas que este apenas realizou cópia parcial do Compêndio mú- 
sico ou arte abreviada, do compositor e teórico português Manoel de Moraes Pedroso 
(Porto, 1- ed.: 1751; 2- ed.: 1769), 35 com a interpolação de um texto de 12 páginas de 
autor desconhecido (p. 19-30) e de alguns parágrafos, provavelmente escritos pelo pró 



Entre outras informações do frontispício, podemos ler: "Arte de acompanhar / do uzo de / Joze de Tor- 
res Franco / Cidf Mn." 20 de 8br." de 1790 ". Encontra-se, no arquivo Público Mineiro (Belo Horizonte), 
na Coleção Música Sacra (constituída por apenas 2 caixas), caixa 1 (Música profana - Manuscritos), sem 
código, 61p.+ 4f. não numeradas. Note-se que a expressão "do uzo de Joze de Torres Franco" indica 
posse e não, necessariamente, autoria. Na mesma caixa, existe uma cópia manuscrita desse documento, de 
copista não identificado, provavelmente antigo discípulo de Conceição Rezende. 

32 De acordo com a "Relação de músicos que deram entrada na confraria de santa cecília de vila rica, 
segundo o livro primeiro de entradas de irmãos de 1815-1818" (Arquivo da Paróquia do Pilar, s/c, item 
15), transcrita por Francisco Curt Lange (A música na Vila Real de Sabará. Estudos Históricos, Marília, 
n.5, p.97-198, dez. 1966.), parcialmente reproduzida por Maria Conceição Rezende (A música na história 
de Minas colonial. Belo Horizonte: Itatiaia; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1989. p.627-631) e 
novamente transcrita por Maurício Monteiro (João de Deus de Castro Lobo e as práticas musicais nas 
associações religiosas de Minas gerais: 1794-1832. Diss. Mestrado, São Paulo, FFLCH-USP, 1995, ane- 
xos, p.viii). José de Torres Franco pertencia a uma família de músicos atuantes entre fins do séc. XVIII e 
inícios do séc. XIX "na freguesia do Rio Pomba, cidade de Mariana, comarca de Vila Rica ", entre os 
quais foram também citados Antônio de Torres Franco, Francisco de Torres Franco, Lúcio de Torres 
Franco e Manoel Jacinto de Torres Franco. 

33 REZENDE, Maria Conceição, op. cit., p.487. Interessante é que, na p.487 de seu livro, Conceição Re- 
zende informa sobre a existência do manuscrito de Torres Franco no APM de Belo Horizonte e, na pági- 
na seguinte (488), sobre o exemplar de um livro mutilado do séc. XVIII (suas folhas iniciais foram perdi- 
das), no Museu da Música de Mariana, informando que Régis Duprat o identificou como uma das edições 
do Compendio musico de Manoel de Moraes Pedroso (cf.nota 35). Curiosamente, nem Conceição Rezen- 
de e nem Régis Duprat chegaram a perceber que o manuscrito de Torres Franco era apenas cópia parcial 
do livro de Manoel de Moraes Pedroso. 

34 Cf.CASTAGNA, Paulo. Musicologia brasileira e portuguesa: a inevitável integração. Revista da Socie- 
dade Brasileira de Musicologia, São Paulo, n.l, p. 64-79, 1995. Cf.p.69 e 77 (notas 32-34). 

35 PEDROSO, Manoel de Moraes. Compendio musico, ou arte abreviada [...]. Porto: Officina Episcopal 
do Capitão Manoel Pedroso Coimbra, 1751. 47p., 3f.inum. Segunda edição: Idem. ibidem. 1769. 47p.Um 
exemplar incompleto da edição de 1769 (e não da primeira, de 1751, como, segundo Conceição Rezende, 
informou Régis Duprat - cf.nota 33), que pertenceu aos acervos dos Maestros José Aniceto da Cruz e de 
seu filho, Francisco Solano Aniceto da Cruz (1895-1970), músicos de família originária do Alto do Rio 
Doce e que atuaram na cidade mineira de Piranga nos séculos XIX e XX, foi doado pela Sra. Terezinha 
de Jesus Aniceto (filha de Francisco Solano Aniceto da Cruz) ao Padre José Renato Peixoto Vidigal, que 
o repassou ao Museu da Música da Arquidiocese de Mariana (MG), onde encontra-se arquivado no Ar- 
mário 5, Gaveta 1 Pasta 18. Mesmo com as folhas iniciais faltantes, o exemplar encontra-se restaurado e 
novamente encadernado. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 \ \ 

prio Torres Franco. Esta informação torna ainda mais evidente a carência teórica dos 
compositores que viveram na América Portuguesa, contradizendo a musicologia nacio- 
nalista, que imaginava a existência de sólidos movimentos composicionais e regras 
muito bem estabelecidas no período colonial: a maior preocupação dos músicos e com- 
positores luso-americanos não era a produção de informações técnicas, mas sim, sua 
aquisição. 

8. Anónimo de Salvador [?] 

O manuscrito de 22 p. localizado por Edmundo Hora no Arquivo Municipal de 
Salvador (cód. 1.14) é o fragmento central de um texto maior, de título e autor desco- 
nhecidos, que pode ter sido escrito até em Portugal. Modo de dividir a canária do órgão 
é o título do primeiro capítulo disponível no documento, que aborda questões teóricas e 
práticas a respeito da afinação do órgão. 36 

9. André da Silva Gomes 

A Arte explicada de contraponto dividida por lições em três tomos, de André da 
Silva Gomes (1752-1844), é conhecida apenas por uma cópia ituana de 152 p., datada 



Cf.HORA, Edmundo. Um manuscrito anónimo sobre afinação encontrado na Bahia (comunicação 
apresentada neste Simpósio). 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 \ 2 

de 1830. 37 Deste documento existem, até o momento, apenas notas a respeito de sua 
existência. 38 

10. José Maurício Nunes Garcia 

O Compêndio de música e método de pianoforte, de José Maurício Nunes Garcia 
(Rio de Janeiro, 1821) foi primeiramente descrito por Cleofe Person de Mattos. O ma- 
nuscrito, de 35 folhas, preparado para o estudo de seus filhos José Maurício e Apoliná- 
rio, contém uma introdução teórica muito simples, 8 Solfejos, noções básicas sobre te- 
clas e sobre escalas, intitulada Teclado, algumas Regras para a formação dos tons, 24 
Lições (divididas em duas partes) e 6 Fantesias [sic], obras simples para o estudo do 
pianoforte. Pela simplicidade das seções teóricas, as primeiras edições do Compêndio, 
por Paulo Brand 40 e por Elisa Wiermann, 41 incluíam apenas as lições e fantasias. A úl 



O manuscrito, localizado pelo pianista e compositor Amaral Vieira entre os papéis do acervo de ma- 
nuscritos musicais que pertenceu a Elias Álvares Lobo, em Itu (SP), contém o frontispício "Tomo 1." / 
Pelo Sr. Tenente Coronel André da Silva Gomes / De / Jerônimo Pinto Roiz / Elias Alvares Lobo", de 
acordo com informações gentilmente cedidas por Márcio Landi, que participa de uma equipe de estudo 
desse documento. 

38 1) NOGUEIRA, Kiko. No túnel do tempo: Pianista recupera composições antigas. Veja São Paulo, São 
Paulo, 04 jan.1995, p.26; 2) CARVALHO, Alexandre. O detetive da memória musical brasileira: Pianista 
já recuperou mais de 15 mil partituras, desde o início dos anos 70. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 18 
jan.1995, p.Z12; 3) HAAG, Carlos. Duprat descobre André da Silva Gomes. O Estado de S. Paulo, Ca- 
derno 2, São Paulo, 18 mar. 1995, p.D 4; 5) DUPRAT, Régis. Música na Sé de São Paulo colonial. São 
Paulo: Paulus, 1995. p.62 e 79; 6) GIRON, Luís Antônio. Régis Duprat descobre 'Bach Paulista'". Folha 
Ilustrada, São Paulo, 10 jan.1995, p.5-6. Obviamente, é incorreta a informação fornecida por Duprat a 
Giron nesta última reportagem, segundo a qual, a Arte explicada de contraponto de André da Silva Go- 
mes é o ''único exemplar encontrado até agora de texto teórico produzido sobre música no Brasil Colo- 
nial ". 

39 MATOS, Cleofe Person de. Catálogo temático das obras do padre José Maurício Nunes Garcia. Rio 
de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Conselho Federal de Cultura, 1970. p. 333-336. 

40 GARCIA, José Maurício Nunes. Methodo de Pianoforte do Sr. P. e M. e Jozé Mauricio Nunes Garcia. 
[Transcrição e revisão por Paulo Brand] Rio de Janeiro: Gráfica da Universidade do Rio de Janeiro, Cen- 
tro de Letras e Artes - UNIRIO, 1989. 48p. 

41 GARCIA, José Maurício Nunes. Método de Pianoforte: [transcrição e revisão por Elisa Wiermann] 
composição gráfica e revisão: André Wiermann.Rio de Janeiro: Editorial Baluarte, [1995]. 66p. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 1 3 

tima edição, realizada em 1996 por Marcelo Fagerlande, apresenta integralmente o ma- 

42 

nuscrito em fac-símile, precedido de um amplo estudo. 
11. Recepção da teoria musical no Brasil 

A primeira notícia que sugere a presença de uma obra musical teórica no Brasil 
provém do inventário de Pascoal Delgado, que viveu em Santana do Parnaíba (SP) na 
primeira metade do século XVII. Provavelmente músico, era possuidor de "três livros 
de canto de órgão", além de cartapácios (manuscritos encadernados) e papéis (de mú- 
sica?), juntos avaliados em 4.000 réis, alta soma, na época. 43 A expressão "livros de 
canto de órgão", no entanto, pode significar obras musicais teóricas, mas também sim- 
ples coletâneas de obras musicais polifônicas de repertório. 

Contudo, somente os próprios tratados musicais brasileiros poderão nos infor- 
mar quais obras teóricas foram realmente conhecidas pelos escritores brasileiros. No 
"Discurso Apologético" de Caetano de Melo Jesus, principalmente nas "censuras" (pa- 
receres de mestres de capela brasileiros e portugueses sobre a matéria exposta no Dis- 
curso e os comentários sobre estes do padre baiano), são mencionados vários compên- 
dios teóricos, que abaixo relacionamos em ordem cronológica. 44 Sabemos, no entanto, 
que a totalidade dos tratados musicais citados por Melo Jesus é bem maior que a quan- 
tidade de obras abaixo relacionadas: 45 



GARCIA, José Manurício Nunes. O método de pianoforte do Padre José Maurício Nunes Garcia: in- 
clui reprodução facsimilar do método original / Marcelo Fagerlande. Prefácio Luís Paulo Horta. Rio de 
Janeiro: Relume-Dumará / RioArte, 1996. 168p. 

43 "Foi avaliado tres livros de quãto dorguo e mais quarta passios e papeis em quatro mil rs". Cf.Pascoal 
Delgado. Erdeira nestta fazenda Izabel Delgado orfã / Avaliasão, Santana do Parnaíba, 18/07/1650. In- 
ventários e Testamentos, São Paulo, v.40, p.144. 

44 JESUS, Caetano de Melo. Discurso apologético; op. cit., p.xv. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



14 



1. PÓDIO, Guillhermo de. Commentariorum musices. Valencia, 1495. 

2. GAFFURIO, Franchino. Musice utriusque cantus practica. Brescia, 1497. 

3. WOLLICK, Nicolas. Opus aureum musica'. Kõln, 1501. 

4. FÁBER, Gregorio. Musices practica? erotematum. Basel, 1553. 

5. VICENTINO, Nicola. Uantica musica ridotta alia moderna prattica. Roma, 1555. 

6. CERONE, Pedro. El melopeoy maestro. Napoli, 1613. 

7. THALESIO, Pedro. Arte de canto chão. Coimbra, 1618. 

8. FERNANDES, Antônio. Arte de canto de órgão e canto cham. Lisboa, 1626. 

9. DONI, Giovanni Battista. Compendio dei trattato de' generi e de' modi. Roma, 

1635. 

10. KIRCHER, Athanasius. Musurgia universalis sive ars magna consoni et dissoni in 4 

libros digesta. Roma, 1650-1690, 2 v. 

11. LORENTE, Andrés. El porque de la musica. Alcalá de Henares, 1672. 

12. SILVA, Manuel Nunes da. Arte minima. Lisboa, 1685. 

13. VILLA-LOBOS, Mathias de Sousa. Arfe de cantochão. Coimbra, 1688. 

14. NASSARRE, Pablo. Escuela música según la práctica moderna. Saragoza, 1723- 

1724, 2 v. 



Luís Álvares Pinto, na pequena Arte de solfejar (Recife, 1761), 6 não cita obras 
teóricas, mas apenas seus autores, sem muita preocupação com a assimilação de suas 
informações. Indicamos os tratados aos quais Álvares Pinto teria se referido, em ordem 
cronológica: 



1. AREZZO, Guido d'. [Micrologus de disciplina artis musica;. Arezzo, séc. XI]. 

2. MONTANOS, Francisco de. [Arte de Canto llano y de Canto de Órgano. Vallado- 

lid, 1592]. 

3. LOBO, Duarte. [Opuscula musica nunc primum edita. Antuerpia,1602]. 

4. PACHECO, Duarte. [Não existe. Deve ter querido referir-se a Duarte Lobo]. 

5. CERONE, Pedro. [El melopeoy maestro. Napoli, 1613]. 

6. THALESIO, Pedro. [Arte de canto chão. Coimbra, 1618]. 

7. FERNANDES, Antônio. [Arte de canto de órgão e canto cham. Lisboa, 1626]. 

8. FROUVO, João Alvares, [obra provável: Discursos sobre a perfeiçam do diathesa- 

ron. Lisboa 1662]. 

9. LORENTE, Andrés. [El porque de la musica. Alcalá de Henares, 1672]. 

10. SILVA, Manuel Nunes da. [Arte minima. Lisboa, 1685]. 



Já no Muzico e moderno systema para solfejar sem confuzão (Recife, 1776), 
Luís Álvares Pinto não somente menciona vários tratados musicais europeus, como 
também transcreve deles vários trechos em seus idiomas originais (francês, latim, italia 



José Maria Neves preparou para edição uma transcrição completa da Escola de canto de órgão de Me- 
llo Jesus, informando-nos pessoalmente sobre os tratados musicais europeus lá citados. 
46 PINTO, Luiz Álvares. Arte de solfejar, op. cit., p.17. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



15 



no e espanhol), sobretudo de Brossard (1703) e d'Alembert (1752), discutindo-os cui- 
dadosamente. São estes os títulos citados, em ordem cronológica: 



1. AREZZO, Guido d'. Micrologus de disciplina artis musica (séc. XI). 

2. ORNITHOPARCHUS, Andreas. Musicace activas microllogus. Leipzig, 1517. 

3. TAPIA, Martin de. Vergel de Musica Spiritual Speculativa y Activa. Burgo de Osma, 

1570. 

4. MONTANOS, Francisco de. Arte de Canto llano y de Canto de Órgano. Valladolid, 

1592 [dos 6 livros deste tratado, Luís Álvares Pinto cita apenas o n. 4: Compostu- 
ra] 

5. MEIBOMIUS, Marcus. Tomo I Antiqua Musicai in prólogo Lectori benévolo. Amster- 

dam,1652. 

6. GASPARINI, Francesco. Uarmonico pratico al cembalo. Venecia, 1683. 

7. BROSSARD, Sebastien de. Dictionnaire de musique. Paris, 1703. 

8. OZANAM, Jacques. Récréations mathématiques et physiques. Paris, 1724. 

9. ALEMBERT, Jean le Rond d'. Élemens de musique theórique et pratique suivant les 

príncipes de M. Rameau. Paris, 1752. 



Os tratados de André da Silva Gomes e José Maurício Nunes Garcia não fazem 
qualquer referência a uma obra teórica, baseando-se no acúmulo de informações de ori- 
gem não identificada, na experiência prática e na opinião de seus autores. A única cita- 
ção, nesses dois tratados, é a que faz André da Silva Gomes das fugas do compositor 
português Joaquim José dos Santos (1747-1801). 47 

A análise dessas informações demonstra situações muito desiguais para os trata- 
dos musicais brasileiros do período colonial. Dos cinco títulos conhecidos, a Arte de 
solfejar de Luís Álvares Pinto (1760), o tratado de André da Silva Gomes (c.1800) e a 
obra de José Maurício Nunes Garcia (1821) não se preocupam com a citação de qual- 
quer obra teórica. Os demais tratados que se utilizam dessas referências, apresentam 
uma bibliografia muito pouco atualizada. No Discurso apologético, de Caetano de Melo 
Jesus, por exemplo, dos 14 títulos citados, somente um é obra do século XVIII: a Es- 
cuela música según la práctica moderna, de Pablo Saragoza Nassarre (1723-1724). No 



"Explicaremos com toda a clareza a organização, numeramento das vozes neste género de fugas; se- 
guindo invariavelmente a doutrina e uso do nosso sábio e experimentado mestre o Sr. José Joaquim dos 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



16 



Muzico e moderno systema para solfejar sem confuzão, de Luís Álvares Pinto (Recife, 
1776), dos 9 títulos citados, apenas três são do século XVIII, todos franceses, sendo 
dois deles os mais citados em todo o texto: o Dictionnaire de musique, de Sebastien de 
Brossard (1703) e o Elemens de musique theórique et pratique suivant les príncipes de 
M. Rameau, de Jean le Rond d'Alembert (1752). 

Outra constatação em relação a esses tratados é o interesse decrescente pela teo- 
ria musical portuguesa. Dos 14 títulos citados por Caetano de Melo Jesus em 1759/60, 4 
são portugueses; Luís Álvares Pinto, na Arte de solfejar de 1760, chega a citar 5 portu- 
gueses, dentre os 10 teóricos mencionados, mas sem a utilização direta de seus traba- 
lhos; finalmente, no Muzico e moderno systema para solfejar sem confuzão de 1776, 
Álvares Pinto (que chegou a viver em Portugal) não menciona nenhuma obra portugue- 
sa dentre as 9 citadas e, além disso, defende a adoção da teoria francesa em lugar da 
portuguesa, espanhola e italiana: 49 



"Cheguei á terceira idade da Muzica, que começou desde este S. 
Papa [Gregório] , procrastinou- se por S. Guido natural de Arêzo (e por isso 
chamado Aretino) até os tempos prezentes. Nesta ultima, e decrépita idade, 
que de confuzões! Os Portuguezes escuros, os Castelhanos enfadonhos, os 
Italianos Sequazes do seu Guido; enem hú com a Simplicidade dos primei- 
ros; antes tudo mixto, tudo confuzo, e apartado daquella viva imagem da 
Natureza. 

"Ora ninguém negará, que saõ hoje os Italianos de gosto o mais 
exquizito, e delicado invento, que todas as outras Nações, na compoziçaõ 
Drammatica: porém com esta compoziçaõ tanto tem contaminado o Canto 
Eccleziastico, que hoje mais parecem Areas os Mottêtos, e theatros os tem 



Santos, Mestre do Seminário da Patriarcal de Lisboa e insigne até hoje e singular nesta qualidade de 
composição" . Cf. GOMES, André da Silva. Arte explicada do contraponto, p.l 18. 

48 Excetue-se, aqui, a curta e pouco elogiosa referência feita por Álvares Pinto a três teóricos portugueses 
- João Álvares Frouvo, Duarte Lobo e Antônio Fernandes - que abordaram questões relativas à notação 
proporcional, particularmente no que se refere à utilização da breve branca, da breve preta, da semíbreve 
branca, da semíbreve preta e da minima preta, informando que "Chegou á tanto este intrincado laberin- 
tho, que Frouvo, Lobo, Fernandes, e outros trabalharam com papeis, e respostas acerca de tres Breves 
negras que Christovam de Morales trazia em o Christe de hua Missa, que fez: e nem se explicaram, nem 
concordaram. Entendo certamente, que naquelles tempos eram enigmas as compozições" . Cf.PINTO, 
Luís Álvares. Muzico e moderno systema Arte de Solfejar, Observação VI, p.50, § 24. 

49 PINTO, Luís Álvares. Muzico e moderno systema Proêmio, p.4-5, § 16-17 e 19. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



17 



pios. E quam longe da opinião séria dêsse Doutor Máximo, que bem nos 
adverte, e aconselhas. 
[•••] 

"Os Francezes, os doutos Francezes são os Gregos da nova idade. 
Saõ de gosto menos agradável: mas nem húa Nação deu á Luz partos mais 
felizes: homens sábios, e claros no que ensinam. Tudo dão a todos: nada 
para si guardam. Parecerá a muitos vaidade nelles mostrar, que lhe deve- 
mos gratificará 

12. O Ensino musical no Brasil 



No Brasil colonial não existiram mais de cinco possibilidades de aprendizado 
musical: 



1. Com missionários religiosos, sobretudo jesuítas, nas Escolas de Ler, Escrever 
e Cantar, nas Casas da Companhia e nos Seminários; 

2. Com um mestre de solfa, em Seminários; 50 

3. Com um mestre de capela, nas matrizes e catedrais; 

4. Com um mestre de música independente, tornando-se seu discípulo e para ele 
exercendo atividade musical em contrapartida pela formação. 

5. Com um mestre mais influente em uma cidade, nas raras classes coletivas, do 
tipo da que foi criada por José Maurício Nunes Garcia na década de 1790 

O ensino institucionalizado de música no Brasil iniciou-se somente no período 
imperial, com o Conservatório do Rio de Janeiro que, criado em 1841, mas que somente 
entrou em funcionamento a partir de 1848. 

Desde fins da Idade Média, o ensino musical europeu diferenciara-se em duas 
categorias distintas, que somente seriam reunidas nos conservatórios do século XIX: 1) 
a música especulativa, ministrada em Universidades e Catedrais, estudada como uma 
das disciplinas do quadrivium, com a visitação dos tratadistas antigos ou contemporâ- 
neos, destinada à investigação dos elementos constitutivos da música; 2) a música prá 



"Em 1739 fundou-se no Rio de Janeiro um Seminário de órfãos e nele se estabeleceram cursos de la- 
tim, música e cantochão. Em todos os colégios de padres havia aula de música e a Artinha acompanhava 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 \ 8 

tica, destinada ao canto e à execução instrumental, geralmente ministrada fora de insti- 
tuições públicas ou religiosas. 

No Brasil colonial, a música especulativa foi ensinada somente nas catedrais. A 
Escola de canto de órgão (Salvador, 1759-1760) e o Tratado dos tons (perdido), de Ca- 
etano de Mello Jesus, além da Arte explicada do contraponto, de André da Silva Gomes 
(São Paulo, s.d.), provavelmente foram escritas para a utilização no ensino dos moços 
nas catedrais da Bahia e São Paulo, onde esses autores foram mestres de capela. 

Já as noções básicas de música e leitura musical foram o objetivo do ensino de 
mestres fora das catedrais: a. Arte de Solfejar (Recife, 1761) e o Muzico e moderno sys- 
tema (Recife, 1776) de Luís Álvares Pinto, além do Compêndio de música e método de 
pianoforte, de José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro, 1821), 1 são textos destina- 
dos a essa categoria de ensino. De acordo com Ernesto Vieira, tratados de música práti- 
ca especificamente destinados ao solfejo, sobretudo os que incluíam lições de solfejo 
(que aparecem nas obras brasileiras de 1776 e 1821), já eram comuns em Portugal a 
partir do final do século XVIII, em função do desenvolvimento da técnica e do estilo 
virtuosístico na música vocal profana e religiosa: 52 



"[...] Os cantores portugueses tiveram n'essa época [fins do séc. XVIII] o 
seu período áureo; a excellente escola do Seminário Patriarchal educava- 
os completamente ensinando lhes não só musica, mas também grammatica 
portuguesa, latim e italiano; os numerosos solfejos de Perez, Luciano, João 
Jorge, Solano e tantos outros, faziam d'elles leitores imperturbáveis que li- 
am á primeira vista e sem o menor embaraço toda a musica que se lhe 
apresentasse; os exemplos dos melhores cantores italianos estabelecidos em 



a Cartilha do A. B. C." Cf.ALMEIDA, Renato. História da música brasileira: segunda edição correta e 
aumentada; com textos musicais. Rio de Janeiro: F.Briguiet & Comp., 1942. p.293. 

51 Apesar de J. M. Nunes Garcia ter exercido o cargo de mestre de capela da Catedral do Rio de Janeiro 
desde 1798, este Método foi escrito para o ensino de música e pianoforte de seus filhos José Maurício e 
Apolinário. 

52 Nos Fundos Musicais da Biblioteca Pública de Évora, por exemplo, existe um exemplar manuscrito dos 
Solfejos para cantar de David Perez (cota 654 - Fundo da Manizola), autor que viveu em Portugal entre 
1752 e c.1780. Cf.ALEGRIA, José Augusto. Biblioteca Pública de Évora: catálogo dos fundos musicais. 
op. cit., p.75, n.126. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



19 



Lisboa eram-lhes util lição para adquirirem um bello methodo de canto, 
cuja tradicção se conservou por muitos annos. Estes merecimentos torna- 
vam-n'os estimados e faziam-n'os bem recebidos, de sorte que esses bellos 
cantores sabidos das aulas do Seminário tinham o seu futuro assegurado 

53 

pelos largos proventos que alcançavam." 

Com o surgimento dos pequenos núcleos coletivos de ensino, nas primeiras dé- 
cadas do século XIX, que culminaram na criação do Conservatório em 1841, surgiram 
classes de música destinadas a maiores quantidades de discípulos, o que proporcionou 
um aumento da demanda de professores e alunos, mas que também exigiu maior siste- 
mática, abrangência, simplicidade e pratic idade das obras teórico-musicais adotadas. 

13. Uma Nova Fase: O Período Imperial 

Com o desenvolvimento das tipografias e do próprio ensino musical, a partir do 
I Império, começaram finalmente a ser impressas, no Brasil, as primeiras obras musicais 
didáticas. Algumas delas continuaram a ser reeditadas até o século XX e dois músicos 
destacaram-se como escritores, pela quantidade de títulos publicados: Francisco Manuel 
da Silva e Rafael Coelho Machado. 

Francisco Manuel da Silva (1795-1865) publicou quatro obras: o Compendio de 
musica pratica dedicada aos amadores e artistas brasileiros (Rio de Janeiro, 1832), o 
Compendio de princípios elementares de música para o uso do Conservatório do Rio de 
Janeiro (idem, 1848), o Compendio de musica para o uso dos alumnos do imperial co- 
llegio "D. Pedro II" (idem, 1838) e o Método de Solfejo, I a - Parte (1848). 

Português da Ilha de Madeira, Rafael Coelho Machado (1814-1887) chegou ao 
Brasil em 1835, destacando-se como professor de várias matérias musicais. Autor do 



VIEIRA, Ernesto, op. cit., v.l, p.9. 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1 734-1854 20 

Diccionario musical (Rio de Janeiro, 1842), primeiro do género escrito em língua por- 
tuguesa, foi autor e tradutor de diversas obras didático-musicais: os Princípios de Musi- 
ca pratica (Idem, 1842), o Methodo de Piano-forte, composto por Francisco Hunten 
(idem, 1843), o Grande methodo de flauta, compilação dos famosos métodos de Devi- 
enne e Berbignier (idem, 1843), o A. B. C. musical (Idem, 1845), o Methodo de afinar 
piano (Idem, 1843), O mestre para piano (Idem, c.1850), o Methodo completo de Vio- 
lão [...] por Matteo Carcassi (idem, c.1850), o Breve tratado d'harmonia (Idem, 1851), 
os Elementos de escripturação musical ou arte de música (Lisboa, 1852), o Método de 
órgão expressivo (Idem, 1854) e o Método de Oficleide (Rio de Janeiro, 1856). 

Até o final do século XIX, manteve-se em uso a composição de "artes de músi- 
ca", à maneira das obras portuguesas dos séculos XVII e XVIII, então vulgarmente de- 
nominadas "aninhas" . 54 No entanto, com Francisco Manuel da Silva, Rafael Coelho 
Machado e outros, inaugurou-se uma nova fase da teoria musical brasileira, na qual as 
obras didáticas apresentavam- se impressas, voltadas a todas as áreas de atuação dos 
músicos práticos e destinadas a um público mais numeroso e menos especializado. Foi 
esse o tipo de teoria que orientou a prática musical brasileira no período imperial e que 
somente começou a ser renovada - e muito lentamente - a partir dos primeiros anos do 
século XX. 

14. Bibliografia 



"Arte, s. f .Denominação antiga dada aos compêndios de musica. Ainda hoje é usada por pessoas anti- 
gas, principalmente nas provindas do Brazil. Provém naturalmente dos títulos que tinham esses livros de 
ensino mais geralmente conhecidos, taes como: Arte de cantochão de Pedro Thalesio (1617), Arte de 
musica, de Manuel Fernandes (1626), Arte minima de Nunes da Silva (1685). Ainda não ha muitos an- 



BINDER, Fernando e CASTAGA, Paulo. Teoria musical no Brasil: 1734-1854 



21 



ALEGRIA, José Augusto. Biblioteca Pública de Évora: catálogo dos fundos musicais. 
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1977. 230p. 

. Um teórico musical brasileiro do século XVIII. Bracara Augusta, Braga, 

n.28, p.472-476, 1974. 

ARANDA, Mateus de. Tractado de canto mensurable. Lisboa: Fundação Calouste Gul- 
benkian, 1978. 92p. 

CARVALHO, Alexandre. O detetive da memória musical brasileira: Pianista já recupe- 
rou mais de 15 mil partituras, desde o início dos anos 70. O Estado de S. Paulo, 
São Paulo, 18jan.l995,p.Z12. 

CASTAGNA, Paulo. Musicologia brasileira e portuguesa: a inevitável integração. Re- 
vista da Sociedade Brasileira de Musicologia, São Paulo, n.l, p. 64-79, 1995. 

COUTO, Domingos de Loreto. Desagravos do Brasil e glorias de Pernambuco. Annaes 
da Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, v.24, 1902 e 25, 1903 (publicados em 
1904). 

DINIZ, Jaime C. Mestres de Capela da Misericórdia da Bahia 1647-1810. Salvador: 
Centro Editorial Didático da UFBA, 1993. 146p. 

. Músicos pernambucanos do passado. Recife: Universidade Federal de 

Pernambuco, 1969-1979. 3 v. 

DUPRAT, Régis. Garimpo musical. São Paulo: Novas Metas, 1985. 181p. (Coleção en- 
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. Música na Sé de São Paulo colonial. São Paulo: Paulus, 1995. 23 lp. 

. Um teórico musical brasileiro. Folha de S. Paulo, Ilustrada, São Paulo, 27 

abr. 1984, p.61. 

ENCICLOPÉDIA da música brasileira: erudita, folclórica, popular. São Paulo: Art Ed., 
1977. 2 v. 

e e 

GARCIA, José Maurício Nunes. Methodo de Pianoforte do Sr. P. M. Jozé Mauricio 
Nunes Garcia. [Transcrição e revisão por Paulo Brand] Rio de Janeiro: Gráfica da 
Universidade do Rio de Janeiro, Centro de Letras e Artes - UNIRIO, 1989. 48p. 

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